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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Internet para gerar negócios

Tenho tratado muito sobre o crescimento nos investimentos em mídia online por empresas de diversos portes, sobre a ampliação do uso de estratégias de marketing digital, sobre o uso cada vez maior das redes de relacionamento para se comunicar e persuadir seus consumidores e sobre como essas inovações tem mudado o jeito de se fazer marketing.

Porém, quando falamos de mundo digital ou de estratégias de Marketing Digital, até parece que a totalidade das empresas já está online, ou mesmo que já estão super habituadas a utilizar todas as ferramentas existentes, bem como familiarizadas com todos os termos inerentes a essas atividades, porém devemos nos lembrar que, embora 97% das empresas no Brasil usem Internet, apenas 53% possuem um website, de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, referentes a 2008.

Desse total de companhias que possuem um website, apenas 24% tem um sistema de pedidos de compras, pois praticamente a metade delas somente utiliza esse canal como catálogo de produtos e lista de preços, ou seja, a grande maioria ainda não está fazendo efetivamente negócios online.

Isso nos leva a concluir que não bastam projetos de “inclusão digital” de empresas, é necessário também levar a elas conhecimento e condições para efetivamente produzir riqueza utilizando a Internet como plataforma para geração de novas receitas e novos clientes, além, obviamente, do atendimento mais qualificado aos atuais clientes da empresa.

Outro fator importante a ser salientado é a enorme oportunidade que surge para um grupo de pequenas e médias empresas, fornecedoras de serviços de TI, porque praticamente em metade das companhias pesquisadas, as funções de TI são executadas por fornecedores externos. Isso é uma tendência, pois podemos observar que vem crescendo esse número ao longo dos últimos anos – em 2006 representava 39% e em 2008, 47% do total. Cresce também o número de empresas que realizam treinamento para usuários de computador e internet, pois em 2006 eram 26% e em 2008 esse número saltou para 34%, e continua crescendo.

Como exemplo de atividades que vem sendo implantadas para a geração de negócios online é possível citar o caso de montadoras de veículos, como GM e Fiat, e no setor de construção civil, com seus lançamentos imobiliários, empresas renomadas como a Tecnisa e a Cyrela, além do mercado financeiro com instituições que tem feito grande uso das ferramentas de Marketing Digital.

Os investimentos dessas grandes empresas no mundo digital estão em torno de 10% de suas verbas publicitárias, o que representa uma grande quebra de paradigma, pois há bem pouco tempo não passava de algo em torno de 3%. Mas isso só tem ocorrido porque essas companhias constataram a eficácia desse meio para trazer novos consumidores e bons resultados financeiros e de comunicação com seu público.

No caso das micro e pequenas empresas podemos observar casos desde uma eletrônica num bairro da zona norte de São Paulo até comunidades do Amapá que comercializam seu artesanato e entregam em todo o país e fora dele.

Com isso percebe-se uma grande movimentação por parte das MPE’s no sentido de conhecer mais sobre esse mundo novo do Marketing Digital para não deixar escapar excelentes oportunidades de crescimento.

Artigo exclusivopara revista BtoB – Grupo Padrão

Qual o impacto da internet nas próximas eleições?

Com as recentes mudanças nas leis eleitorais que liberaram o uso de internet e redes sociais nas campanhas, já é possível acompanhar mudanças no cenário político, mesmo não sendo possível fazer propaganda paga na web. Encerramos 2009 com aproximadamente 70 milhões de pessoas tendo acesso à web, em suas residências, em Lan Houses, Cyber Cafés, escolas, trabalho, entre outros locais, embora apenas 38% deles acessem diariamente. Espera-se que esse número em 2010 atinja 100 milhões, sendo que o Brasil tem 133 milhões de eleitores. Além disso, o país já conta com mais de 175 milhões de celulares.

(artigo para a Revista Carreiras&Negócios)

Os três principais candidatos à presidência já estão utilizando algumas plataformas, como Twitter e Youtube, por exemplo. José Serra tem mais de 170 mil seguidores no microblog e posta seus comentários pessoalmente. Dos três, Dilma foi a última candidata a aderir e ainda “está aprendendo”. Marina tende a ter bom destaque, pois segundo analistas, traz temas inovadores ao debate, o que cai muito bem na rede.

O custo estimado das campanhas total em 2010 é de R$ 2 bilhões, o maior de todos os tempos, a de Obama foi US$ 740 milhões e Lula declarou R$ 168 milhões em 2006, oficialmente. Obama conseguiu arrecadar US$ 500 milhões de três milhões de eleitores. Diferentemente do Brasil, onde são poucos e grandes doadores para as candidaturas e onde reina o caixa dois. Esse financiamento de campanhas feito pelo público é muito positivo, pois cria uma atitude de maior compromisso por parte do político, ou seja, gera maior comprometimento com suas propostas. Entretanto, no Brasil, o item contribuições tende a não ter grande impacto, pois além da falta de tradição dos cidadãos de financiarem campanhas políticas, os políticos gozam de menor reputação, historicamente falando. A candidata Marina, por exemplo, já divulgou o valor arrecadado (R$ 2,5 mil) até o momento, o que é muito baixo.

Como exemplo brasileiro, Gabeira em 2008 já arregimentou 10 mil voluntários pelas redes sociais. Segundo ele, “quando funcionar efetivamente no Brasil a arrecadação online será a prova de que a legítima persuasão do eleitor pode enfrentar o poder econômico e fazer frente ao caixa dois”, como ocorreu nos EUA, onde também havia grandes doações de grupos de interesse, antes da última campanha.

Obama conseguiu 2 milhões de simpatizantes no Facebook, 1 milhão no MySpace e mais de 100 mil no Twitter. Foram criados também blogs para combater falsos rumores e ataques ao candidato. Outro ponto interessante da sua campanha, além da grande integração entre as ações on-line e off-line, foi sua estratégia de relacionamento através da criação de sites voltados aos mais variados públicos, como negros, evangélicos, latinos, etc, para debater temas relevantes a cada um deles.

No Brasil temos um exemplo da criação de um blog para desmentir comentários do outro candidato, o site criado pelo PSDB chamado “Gente que mente”. De qualquer forma temos que lembrar que o brasileiro, em geral, não se interessa por política e não passará a fazê-lo por causa da internet, até porque temos um perfil de navegação diferente dos americanos, sendo aqui mais voltado ao lazer e lá pela busca de informação.

A internet é um território mais livre e menos controlável do que outras mídias, o que poderá gerar um grande número de ataques e ofensas mútuos. Por outro lado será a primeira vez que a discussão poderá ser ampliada com maior participação do público, por meio das redes sociais, que contribuirão para acelerar a difusão de informações. Para o mundo político, assim como para as empresas, as mídias digitais trazem um fator muito interessante que é a possibilidade de obter uma boa exposição com menores investimentos e mais criatividade, se compararmos aos custos da mídia tradicional.

Outro ponto pra lá de importante será o uso inteligente das bases de dados, com o mapeamento de simpatizantes de ambos os lados, para serem trabalhados em ações diretas.

Mas e depois das eleições, tudo isso acaba? O ideal é que não seja assim e que o futuro governante continue aproveitando o exemplo americano ao utilizar o meio digital para levar mais transparência à gestão.